Antes de mais nada, gostaria de agradecer as visitas e os comentários (diretos e indiretos) sobre o blog. Realmente, fiquei impressionado; não esperava uma reação tão positiva!!
O texto abaixo pode ser longo, entretanto ao final dele está uma liçãozinha de marketing bem interessante que ouvi de um taxista. Vivendo e aprendendo!
Há umas duas semanas, tive de fazer hora extra na agência (ok, não existe hora extra em agência e trabalhar até tarde não é novidade nenhuma, pelo contrário é rotina. Está no job description). Se não me engano era uma quarta-feira, geralmente neste dia fico até mais tarde tirando o atraso de alguns jobs pendentes. A grande vantagem de ser assistente e não ter um carro é que você pode voltar para casa de taxi numa boa e no maior conforto quando trabalhar até tarde. Como freqüêntemente (velha norma gramatical, sim!) voltar de taxi tem sido minha rotina, já me deparei com muitos taxistas de diversos perfis: uns quietos, outros falantes, outros nostálgicos e alguns pilotos de Fórmila 1, também. E com todos eles, tenho o capricho de, ao final da corrida, avaliar se eles merecem uma gorjetinha a mais ou não. Tudo depende do bom comportamento do motorista durante o percurso. Se for quietinho e dirigir bem, gorjetinha. Se falar demaaaaais, eternamente, sem gorjeta. Se dirigir mal, HÁ...sem gorjeta, também. Eis que então, entro no carro do Seu Clóvis. Um taxista muito extrovertido que logo no início se pôs a falar. Eu pacientemente ouvia suas palavras até que ele começou a falar de sua vida pessoal: disse que tinha uma previdência privada, que tinha uma filha de 8 anos e que pretendia parar de trabalhar em no máximo 10 anos. Aquele papo estava começando a me incomodar e eu já estava imaginando que o sujeito não ia ganhar um gorjetinha no final do percurso, quando ele me pergunta: "Você sabe quem é o dono desta companhia de taxi?". "Hummmm....não.", eu respondo. "Eu!", Seu Clovis responde todo orgulhoso.
Por um momento pensei ter encontrado aqueles taxistas com perfil de pescador, que vivem contando histórias fantástica. Já ouvi história de taxista que se deu bem com duas passageiras (uma loira e uma morena) e foi terminar a corrida no motel. Teve um outro que me disse que era amigo íntimo do Lula (tá bom, esse pode até ser possível, mas não acreditei). Enfim, me dei conta que ele trabalhava para uma cooperativa, onde qualquer funcionário é dono da Cia. Respondi desanimado: "Ah, sim. É uma cooperativa. Verdade." E então ele começa a me contar a estrutura da tribo: "Temos dois diretores e um Aspone. Você sabe o que é um Aspone?" ele pergunta. "Sei, Assessor de porra nenhuma. Tem também os Gepones: gerentes de porra nenhuma, e desses a agência que eu trabalho está cheia."
Daí em diante o Seu Clovis deu uma aula de marketing de colocar no bolso muito figurinha metida a publicitário-intelectual-sabichão (na agência tá cheio desses também!). Fez mais um ou dois comentários a respeito da estrutura organizacional da cooperativa e logo em seguida, com didática extremamente perfeita, explicou como funciona o sistema de cobrança da corrida. Fiquei puto da vida ao saber que parado, o taxi com o taximetro contando, é mais caro do que o taxi em movimento. Depois ele engatou um papo da diferença entre clientes e passageiros. Para ele clientes são os clientes regulares, heavy user na linguagem marketeira, e que os passageiros são aqueles que tomam o taxi esporádicamente, os light users na linguagem marketeira. Disse ainda que sempre procurava priorizar os heavy users, ou melhor os clientes, e que primava pelo bom serviço. Ainda fez uma série de continhas que me comprovaram que não valia a pena a cooperativa fazer esse lance de descontos em parcerias com com empresas. Mas o que realmente ficou marcado em minha cabeça foi uma frase sobre essa crise econômica que eu dúvido que qualquer um aqui tenha ouvido de algum professor na faculdade: " A crise não está no cliente. A crise está no dinheiro. O cliente tem sempre dinheiro, mas se você não for algo relevante a primeira coisa que ele irá fazer é te cortar da planilha de gastos." Nunca tinha pensado friamente que a crise realmente não afeta o cliente e sim o modo como ele passa a investir sua verba. De fato, a Nestlé não deixou de produzir choclates por conta da crise.
Ao final da corrida não só dei a famosa gorjetinha, como também dei um cartão meu. Fiquei estarrecido com todo o conhecimento que ele possuia, mesmo nunca tendo ouvido falar em termos como heavy user, light user, target, hard sell, banner, GRP entre outra palavrinhas gringas que recheiam o meu dia-a-dia.
BG
6 meses atrás
7 comentários:
Hey you!
Bem, primeiramente, adoro pessoas capacitadas a rechear tardes alheias com histórias interessantes. Acredito que a importância dos fatos, coisas, pessoas, textos, está na simplicidade...não é preciso poetizar tudo nesta vida. Basta saber observar o "dia após dia" com destreza.
Congrats, man!
Seu blog começou com o pé direito, e desculpe, sem tirar seu mérito, mas "Clóvis ROCKS!". rsrs
Tenho só uma observação: aperte sua agenda diária e escreva mais.
Manda ver!
Beijos,
Carol
Muito bom!
abraços
adoro aulas de mkt da vida real!!
ótimo texto marcão!! sdd
bjuu e sucesso com o"brog"
Escreve nada neh!
dps quero ler sobre argentina.
abraço
Com essa lição aprendi que quero ser taxista. e trabalhar com os heavy users. há!
Belo texto!
Abs!
Conhecimento popular é o que vale.
O simples fato de estar na rua todo dia e observar as pessoas é uma faculdade. Seu Clóvis é fera. haha
Beijo!!
Belo texto... mas acho q esse cartão no final da corrida foi seu "chavequinho" furado pra fechar com chave de ouro né marcão????....rsrsrsrs
Postar um comentário
Comenta ae!